
Marcela Marcos
Publicado em 29 de outubro de 2026 às 11:36h.
O estágio, o primeiro emprego ou um programa de trainee marcam o início de uma trajetória profissional. Em fases como essas, surgem dúvidas sobre quais competências desenvolver, quais cargos buscar e que experiências priorizar. Um plano de carreira ajuda a organizar essas decisões e a definir seus objetivos para os próximos anos.
Só que o crescimento profissional não segue um único caminho. Algumas pessoas querem assumir cargos de gestão; outras preferem aprofundar conhecimentos técnicos. Há também quem se interesse pela coordenação de projetos. Os modelos de carreira em Y e em W contemplam essas possibilidades, sendo que sua estrutura pode variar de empresa para empresa.
O plano de carreira organiza os objetivos profissionais e as etapas necessárias para alcançá-los. Ele considera sua posição atual, as competências a desenvolver, as experiências que contribuem para o crescimento e os prazos para avançar.
O termo também se aplica às empresas, que estabelecem cargos, critérios de promoção, faixas salariais e requisitos para que um colaborador possa assumir novas responsabilidades.
No início da trajetória, o planejamento pode se concentrar nos objetivos para os próximos meses ou anos. Conforme surgem novas experiências e interesses, as metas podem ser revistas.
Os modelos de carreira representam diferentes formas de evoluir profissionalmente.
| Modelo | Características |
|---|---|
| Vertical ou linear | A progressão ocorre para cargos de níveis hierárquicos superiores, geralmente com mais responsabilidades. |
| Horizontal | O profissional amplia conhecimentos, competências ou atribuições sem necessariamente mudar de nível hierárquico. |
| Em Y | A jornada profissional se divide entre duas trilhas principais: gestão e especialização técnica. |
| Em W | Em algumas empresas, é uma terceira possibilidade, relacionada à gestão de projetos ou à combinação de competências técnicas e de liderança. |
| Em rede | O desenvolvimento inclui movimentações entre áreas e funções, ampliando a experiência profissional. |
Uma promoção de analista para coordenador é um exemplo de progressão vertical. Já um profissional que aprofunda seus conhecimentos em análise de dados e assume entregas mais complexas pode evoluir tecnicamente e se tornar um especialista, sem ocupar um cargo de gestão.
A carreira em Y é um modelo de desenvolvimento profissional que oferece duas trilhas principais: uma é voltada à gestão de pessoas; a outra, à especialização técnica.
As duas trajetórias exigem competências diferentes e podem oferecer progressão profissional. A disponibilidade de cargos, os critérios de evolução e a remuneração dependem da estrutura de cada empresa. Por isso, vale pesquisar quais oportunidades de desenvolvimento são oferecidas antes de escolher uma delas.
A trilha de gestão é indicada para quem deseja coordenar equipes, acompanhar resultados e participar das decisões que orientam uma área. O trabalho envolve organizar as atividades do grupo, distribuir responsabilidades e criar condições para que as entregas sejam realizadas.
Entre as competências exigidas para quem busca uma posição de liderança estão comunicação, negociação, delegação, mediação de conflitos e acompanhamento de resultados. O conhecimento técnico continua importante, mas precisa ser combinado com a capacidade de orientar pessoas e definir prioridades.
Para quem pretende seguir esse caminho, o ideal é começar a se preparar antes de assumir uma função de liderança. Participar da organização de projetos, colaborar na divisão de tarefas e pedir feedback sobre a própria comunicação são maneiras de evoluir profissionalmente.
A parte técnica é voltada a quem deseja se tornar referência em determinado assunto. Em tecnologia, por exemplo, um desenvolvedor pode avançar para posições de especialista ou arquiteto de software. Em outras áreas, a jornada profissional inclui funções ligadas à pesquisa, à análise de dados, ao planejamento financeiro ou ao domínio de determinados processos.
O especialista também pode orientar colegas, compartilhar conhecimento e colaborar com diferentes equipes. Sua principal responsabilidade, porém, está no domínio que tem da própria área.
Para se preparar para um cargo de especialista, uma boa prática é pesquisar quais são os conhecimentos mais exigidos nas posições desejadas na sua área e aprendê-los, além de participar de experiências em que é possível aplicá-los. Os cursos e as certificações podem contribuir para uma promoção, mas o ideal é que sejam acompanhados de oportunidades para colocar o aprendizado em prática.
Em algumas definições, a carreira em W acrescenta uma terceira trilha, geralmente relacionada à gestão de projetos, na qual o profissional coordena iniciativas com objetivos, prazos e entregas definidos, articulando pessoas de diferentes áreas.
Um exemplo é o de quem lidera a implantação de um sistema, organiza o cronograma, acompanha recursos e integra as equipes envolvidas. Essa função exige planejamento, negociação e compreensão técnica das entregas esperadas.
Liste as atividades de que gosta, os conhecimentos que já desenvolveu e as tarefas em que costuma ter bons resultados. Considere também o que deseja aprender e quais responsabilidades despertam sua curiosidade.
Quem ainda não sabe se prefere gestão ou especialização pode observar as experiências que teve. Organizar o trabalho de um grupo e aprofundar a solução de um problema técnico, por exemplo, exigem habilidades diferentes. Experimentar as duas atividades ajuda a reconhecer suas preferências.
Consulte vagas, descrições de cargos e perfis de profissionais que trabalham na área desejada. Observe as competências exigidas, as experiências valorizadas e as responsabilidades associadas às funções mais avançadas.
Conversar com profissionais experientes também ajuda a conhecer os desafios. Pergunte quais conhecimentos fizeram a diferença no desenvolvimento deles e como funcionam as oportunidades de progressão nas empresas em que trabalham.
Estabeleça uma meta que oriente suas escolhas e tenha um prazo. Em vez de escrever apenas “quero crescer profissionalmente”, formule um objetivo como se preparar para coordenar equipes em dois anos.
A meta deve ajudar a selecionar experiências, cursos e oportunidades, mas pode ser revista conforme seus interesses mudam.
Compare os requisitos das funções desejadas com os conhecimentos e as experiências que você já possui. Essa análise mostra o que você ainda precisa desenvolver e deve priorizar.
Defina as etapas que ajudarão a alcançar a meta. Elas podem incluir participar de um projeto, fazer um curso, buscar mentoria, solicitar feedback ou assumir novas responsabilidades.
Associe cada ação a um prazo e a um resultado observável. Por exemplo, concluir um curso comprova que uma etapa foi realizada. Aplicar o conteúdo dele em um projeto também ajuda a avaliar como o aprendizado contribui para seu trabalho.
Reserve momentos para avaliar os avanços, os obstáculos e se o seu objetivo se mantém. Fazer essa revisão a cada três ou seis meses ajuda a identificar o que precisa mudar.
Novas experiências podem revelar interesses que não estavam claros no início ou então fazer com que você perceba que determinada trajetória não é exatamente o que desejava.
Para complementar o processo, confira o guia do Na Prática com sete passos para montar um plano de carreira.
Posso crescer na carreira sem virar gestor?
Sim. Ser um especialista técnico é uma possibilidade de progressão para quem deseja aprofundar conhecimentos e assumir desafios mais complexos sem ocupar uma posição de liderança de pessoas.
O que faz um profissional especialista?
O especialista aplica conhecimentos aprofundados em sua área para resolver problemas, desenvolver soluções e orientar decisões. Também pode compartilhar conhecimento e apoiar os colegas.
Quais são os tipos de plano de carreira?
Entre os modelos conhecidos estão as carreiras vertical, horizontal, em Y, em W e em rede. Eles representam diferentes formas de progressão, especialização e movimentação profissional.
Qual é a diferença entre carreira em Y e carreira em W?
A carreira em Y apresenta duas trilhas principais: gestão de pessoas e especialização técnica. A carreira em W, em algumas definições, acrescenta uma terceira possibilidade relacionada à gestão de projetos ou à combinação de competências técnicas e de liderança.
Um plano de carreira garante uma promoção?
Não. O planejamento orienta o desenvolvimento profissional, mas a promoção depende de fatores como desempenho, requisitos da função, disponibilidade de vagas e critérios da empresa.
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